segunda-feira, 30 de julho de 2012

MOTOCICLISMO: ESPORTE OU TRANSPORTE?



A dica de hoje não é minha: reproduzo abaixo o texto do James Stuart Hodge. Se você gostar tanto quanto eu.

100 anos atrás, pouco depois de sua invenção, dirigir um automóvel era um esporte reservado a ricos aventureiros. Os ingleses e alemães do início do século passado, com seus bonés xadrez, óculos de proteção e uma charmosa echarpe no pescoço, percorriam os caminhos de então a bordo de veículos que exigiam considerável conhecimento e habilidade para serem conduzidos com sucesso. Muito mudou nesses cento e tantos anos.

Os automóveis evoluíram, tornando-se muito mais práticos, seguros e simples de dirigir. Os automóveis modernos são quase utensílios domésticos, uma máquina que quase todos têm e sabem operar.

As quatro rodas lhe conferem grande estabilidade estática e dinâmica, e vários aperfeiçoamentos, como motores confiáveis, câmbio automático, freios servo-assistidos eletronicamente controlados, e direção hidráulica, o transformaram num produto extremamente bem sucedido e num dos pilares do desenvolvimento econômico do século 20.

O automóvel, que antes era usado na prática de um esporte, passou a ser usado como meio de transporte. Mesmo o automobilismo esportivo, que ainda sobrevive, tem nos últimos tempos acentuado a tendência no sentido de diminuir a importância dos pilotos em favor da tecnologia empregada – aerodinâmica, eletrônica, monitoramento remoto do desempenho do carro de corrida, etc.

As motocicletas, logo após sua invenção, tiveram uma história parecida. Pilotá-las era um esporte que exigia muito conhecimento e habilidade, e, devido às suas características próprias, talvez demandassem ainda mais perícia, e certamente sujeitavam o piloto a riscos maiores, que os automóveis.

Também as motocicletas evoluíram nesses 100 anos, mas sua evolução foi um pouco diferente da dos automóveis. Tornaram-se, igualmente, mais confiáveis, mais confortáveis, e mais práticas; todavia, continuam exigindo muito conhecimento e habilidade para serem conduzidas com competência, e continuam sujeitando seus pilotos a grandes riscos, sobretudo no trânsito das grandes cidades e em estradas públicas.

O motociclismo continua sendo, até hoje, um esporte – e talvez por isso seja tão apaixonante! Motocicletas são como aviões: se o piloto não souber o que está fazendo, elas acabarão caindo. Sua instabilidade intrínseca (são só duas rodas), e sua grande capacidade de aceleração e frenagem, não impedem que sejam usadas como meio de transporte; mas elas exigem de seus pilotos um nível de conhecimento e habilidade – perícia – que é característico da prática de um esporte. E de um esporte perigoso! Este fato não é devidamente enfatizado. As motocicletas são anunciadas e compradas como se aprender a pilotá-las fosse muito fácil; e como se fosse possível a seus proprietários adquirir a necessária perícia e experiência nas vias públicas, enfrentando o trânsito de automóveis, caminhões e ônibus.

O processo de habilitação de motociclistas também adota esta premissa. O exame teórico verifica principalmente o conhecimento das leis de trânsito. O exame prático requer do candidato que mantenha a motocicleta equilibrada; que percorra, a baixa velocidade, uma pistinha desenhada no pavimento de um estacionamento ou de qualquer outra área pavimentada e deserta; e que pare e saia novamente com a motocicleta.

Conseguindo passar nestes dois exames, ele receberá sua carteira de habilitação. Terá, então, autorização legal para imediatamente pegar uma estrada e desfrutar do prazer de pilotar uma moto em velocidade. É quase como ensinar alguém a nadar jogando-o numa piscina funda e o abandonando à própria sorte. Ou permitir que alguém aprendendo a pilotar um avião, com apenas instrução teórica sobre o funcionamento dos controles e comandos e com pouca experiência prática, se aventure em seu primeiro voo solo. Só para pegar o jeito... Repito – motociclismo é um esporte! Não se deve pilotar uma motocicleta pensando em suas obrigações do dia, ouvindo rádio, falando no celular ou fazendo qualquer outra coisa que desvie a atenção da atividade de pilotar a moto. Mais cedo ou mais tarde, e quase sempre mais cedo, vai dar besteira!

As motocicletas podem e devem, devido às vantagens que oferecem, ser usadas como meio de transporte. Mas não se aventure a pilotar uma moto nas ruas e estradas, enfrentando o trânsito de outros veículos, se não tiver recebido instrução detalhada sobre seu comportamento dinâmico: o efeito giroscópico das rodas, e sua influência no equilíbrio da moto; o countersteering (contra-esterço), que é a forma mais precisa, rápida e fácil de mudar a direção de uma moto; a grande transferência de peso para roda dianteira durante a desaceleração e frenagem, e como isso desestabiliza a moto; a grande transferência de peso para roda traseira durante a aceleração, e como isso estabiliza a moto; e o papel da roda traseira na mudança de direção da motocicleta. Só então, depois de ter tomado conhecimento destas informações e técnicas, e de ter treinado o suficiente para desenvolver sua habilidade, você terá a perícia necessária para se considerar um motociclista, e poderá usar sua motocicleta como meio de transporte


segunda-feira, 23 de julho de 2012

FALANDO SOBRE COMBOIOS


Todos os que praticam o motociclismo estradeiro sabem que é bem fácil, quando se está sozinho, definir o roteiro para um passeio, arrumar a bagagem e pegar a estrada.

Viajando sozinho cada um dos detalhes do planejamento é definido e organizado unicamente pelo próprio motociclista, sem que este precise se preocupar com encaixe com outras ideias, com divergência de opiniões, com o cumprimento de horários e com o respeito à velocidade de cruzeiro. O solitário saí quando quer, para quando e onde quer e anda como quer.

Andar de moto sozinho, em todos os sentidos, é bem menos complicado que andar em grupo. Ser totalmente liberto na estrada é bem mais simples do que ser apenas mais um no meio de tantos na formação de um grande comboio de motos.

Feitas essas afirmações, deixemos aqui, então, a pergunta: Será que, nesse caso, a solidão é mais gostosa e segura do que a companhia de amigos?

Quando se pilota em moto-comboios bem organizados tudo passa a girar em torno do todo, e não mais só de uma pessoa.

Em comboios estruturados cada ação durante a viagem, durante as paradas e principalmente durante a pilotagem, por menor que seja, traz suas reações para o grupo todo. É justamente por isso que estas ações devem sempre visar o bem estar, a segurança e a agilidade da movimentação e eficiência do grupo. O motociclista, enquanto fazendo parte do comboio, deve deixar de lado o egoísmo e o individualismo e adotar uma postura coletivista, voltando seus esforços na intenção de atender aos interesses gerais do grupo que está ali na estrada, colaborando com a sua eficiência e agilidade em cada ação durante a viagem, como também em seu próprio planejamento particular, ocorrido antes do passeio/viagem. Em comboios a pressa deve sair de cena deixando espaço para que se busque a tão desejada perfeição, ou algo que se aproxime desta. Porém, “não tenhamos pressa, mas não percamos tempo!”. Atrasos na hora da saída, lentidão durante as paradas e “roda presa” em pista boa e tráfego favorável são coisas prejudiciais que atrasam o grupo.

Em síntese, para que se ande em comboio, contribuindo com a agilidade e a eficiência do mesmo, é necessário que se respeite uma gama de coisas, tais como horário de concentração e saída, encontrar-se completamente pronto no horário da partida, quantidade e locais de paradas e abastecimento, o tempo que deve durar cada parada, seja ela apenas para abastecimento, ou para lanches e refeições, etc.

É claro que algumas dessas exigências se aplicam apenas a viagens longas e cansativas, e não são tão cobradas nos passeios mais curtos. Todas essas diretrizes devem ser estabelecidas com antecedência, ou seja, durante o planejamento da viagem, juntamente com os outros participantes, para que não haja dúvidas e que não exista desavisados.

Cada ponto importante deve ficar bem claro e perfeitamente definido. Todos devem se policiar e policiar um ao outro com relação a essas regras. O grande barato do comboio está não só na atenção que ele chama quando entra, de forma organizada, nas cidades, ou no encanto que ele desperta em muitos quando disposto na forma de “pegadas na areia” na estrada, mas sim na segurança que ele proporciona a cada um dos formadores do grupo de motos e na sintonia existente entre estes para que o comboio tenha sucesso e não venha a se “quebrar”.

Dentro do comboio a segurança dos motociclistas se baseia no famoso grito de guerra dos mosqueteiros: “Um por todos e todos por um”. Cada motociclista que está ali é responsável por todos os amigos que estão queimando chão com ele, da mesma forma como todos os outros são responsáveis pelo citado.

Cada um dos motociclistas, independente de sua posição na serpente de motos que “rasteja” sobre a estrada, é responsável por quem está a sua frente, e por que vem atrás, quer seja muito na frente, quer seja muito atrás. Para que se aceite esse pensamento basta perceber que se ocorrer algum incidente ou acidente com um dos formadores do grupo o passeio acaba para toda a turma. Conforme vi durante minhas viagens, o melhor local para que se demonstrem o respeito, o zelo, o companheirismo e a amizade que se tem por um ou mais motocilistas é a estrada, e a melhor hora para exteriorizar essa lista de nobres sentimentos é quando se dá a formação do comboio. Sendo assim, o mais correto e prático é que se usem as condutas sociais mais corretas na forma de como o piloto se comporta no comboio de motos, para que este venha a ser organizado, prudente, seguro e confortável para todos.

O comboio de motos bem organizado geralmente é formado entre amigos que sejam pilotos com atestada experiência em viagens motociclísticas em grupo após muito diálogo e planejamento. O mais salutar é que esse grupo de amigos se entenda bem, quer estejam ou não no comando de suas amadas máquinas. A afinada “equalização” entre o estilo de pilotagem dos pilotos formadores, o respeito mutuo, a constante colaboração por parte de todos e a definição prévia de todo um conjunto de regras também são de suma importância.

Em comboios bem organizados é perfeitamente possível que uma moto quadi-cilíndrica com motor de 1.300cc faça parte de um grupo onde haja uma 150cc, desde que haja a compreensão do piloto da moto mais potente e ele ande no ritmo da moto de menor potência, e que o piloto da moto mais lenta procure pilotar em uma velocidade segura para o grupo, evitando lentidão. Ora, para justificar essa afirmação basta dizer que a 100 km/h todo viajante chega a qualquer lugar, e essas motos de 150cc, apesar de não serem tão apropriadas para viagens e não desenvolverem velocidades tão rapidamente, chegam a atingir velocidades superiores a 120 km/h. Desde muito cedo somos induzidos a acreditar e a aceitar que a alta velocidade é perigosa.

Não são poucos os casos de acidentes, muitos deles fatais, causados unicamente ou principalmente pelo excesso de velocidade. Pilotando motocicletas em estradas federais e estaduais somos obrigados a aprender rapidamente, para a nossa própria segurança e a dos demais, que a lentidão também traz sérios riscos. Não é todo motorista de carro, ônibus ou caminhão que respeita um grupo de motos na estrada. Infelizmente o que ocorre é o oposto: São poucos os que nos respeitam. Uma pilotagem segura para todos os que participam do fluxo de veículos leves e pesados – em uma estrada estadual ou federal – geralmente têm a sua velocidade de cruzeiro em torno de 100 km/h. Velocidades demasiadamente inferiores ou superiores a esta tornam o comboio impraticável devido ao considerável risco da situação.

A direção defensiva, com base na antecipação e na identificação das ações daqueles que estão na estrada, é a pilastra fundamental da segurança do comboio. Reagir de forma eficiente após a ação dos formadores do comboio, de outros motociclistas, de motoristas, de ciclistas e de condutores loucos não é suficiente. Às vezes se faz necessário, pelo menos em partes, que se prevejam as ações daquele que está no outro veículo, ou posto na via (pedestres e animais). Em muitos momentos é necessário e fundamental que o motociclista prudente se antecipe para então agir pronta e eficientemente e assim se resguardar de fatalidades. Essa antecipação deve ocorrer a todo tempo, principalmente e mais fortemente em momentos de pilotagem em condições adversas, como por exemplo em ultrapassagens, em pista ruim, em chuva, em fluxo intenso, em situações com pouca visibilidade, etc.

Não são incomuns os momentos, quando pilotando as nossas motocicletas, em que temos que nos entregar completamente aos braços da teoria do caos. Basicamente, é assim: “Se houver a possibilidade de algo ruim acontecer, acontecerá”. Se avistar um animal no acostamento ao pilotar a sua moto não pense que ele pode subir na pista no exato momento em que você for passar por ele. Ao invés disso saiba que ele vai subir!

Não pense que o ciclista que pedala na beira da pista pode bater em você. Ao invés disso saiba que ele está completamente embriagado, e que vai se assustar com o barulho da sua moto e pender para dentro da pista quando você for passando, causando um grave acidente. Ao ultrapassar um caminhão ou veículo longo não pense que ele pode te fechar repentinamente. Saiba que ele irá o fazer logo que aparecer o primeiro buraco ou veículo lento em sua frente, ou qualquer outro tipo de obstáculo, e você, provavelmente, não terá como se defender ou evitar um acidente. Quando se pilota em comboio não se deve desafiar o perigo em hipótese alguma. Pilotar motocicletas entre carros, caminhões e ônibus já é um grande risco, e todos sabem disso.

Quem gosta de brincar com a vida deve andar sozinho, e não em grupo. Em comboio todo piloto, até mesmo aqueles que são verdadeiros kamikazes, deve se portar de forma correta e respeitosa, deve obedecer às regras, sinalizar as suas intenções e ações e respeitar as sinalizações dos outros motociclistas e demais veículos. Pilotagens agressivas jamais devem ser feitas em formação de comboio. Nos comboios motociclisticos ninguém deve ficar para trás. Se uma moto para, independente do motivo, todas as outras devem parar. Se isso não ocorrer, o comboio foi gravemente quebrado.

A visualização entre os motociclistas do comboio deve ser uma constante. Um piloto jamais deve perder de vista, em seus retrovisores, o farol da moto que vem logo atrás, e deve se esforçar ao máximo para não perder de seu campo de visão aquela que vai a sua frente. A linha do horizonte deve ser o limite da distância que separa as motos de um comboio. Em meio a indecisão de acompanhar quem vai a frente ou de esperar quem vem atrás, opte sempre por esperar o amigo que vem atrás.

Caso se perca o que vem arás de vista e continue a pilotagem como se nada tivesse acontecido, aquele que está a sua frente muito provavelmente não perceberá que o comboio foi quebrado, e que companheiros de viagem ficaram para trás. Nunca é demais frisar que pilotar perto demais é bem mais perigoso do que pilotar à distância. Deve-se respeitar ao máximo o espaço necessário para que se possam fazer as manobras livremente.

A manutenção desse espaço deve acontecer o tempo todo, seja nas horas de aceleração, seja em velocidade de cruzeiro ou, principalmente, em frenagens. Afinal, em que resultaria comprometer a distância segura justamente na hora de uma frenagem?! Resposta: Sustos ou tombos. É aí onde fica um dos confortáveis lares da agilidade dentro do comboio: O da frente acelerou, você acelera também, se esforçando para manter o ritmo. Se o piloto da frente diminuir a velocidade ou frear, não importa o motivo, você faz o mesmo, mantendo sempre a distância segura, e da forma mais suave possível, sem fazer uso da agressividade.

Ainda com relação a distância entre as motos do comboio o ideal, segundos estudiosos do trânsito, é que ela jamais seja inferior a três segundos. Para fazer essa medida basta observar o tempo em que o piloto logo a sua frente passa por determinado ponto (ex.: uma árvore, um manchão na pista, uma placa, etc) e contar três segundos para que então você passe por aquele ponto. É necessário que se confira essa distância periodicamente durante a viagem.

Dessa forma o piloto que vem atrás teria um segundo para perceber e analisar a situação e dois para reagir, ainda segundo os estudiosos de tráfego. Em comboios prudentes, motos jamais andam lado a lado, nem se ultrapassam utilizando-se a mesma faixa de rodagem. Obstáculos como lombadas, buracos e animais na pista são bem mais difíceis de serem transpostos quando se tem uma moto ao lado do que quando se está sozinho na faixa.

Esse posicionamento de motos lado a lado trás sérios riscos, pois limita e muito a capacidade de realização de manobras seguras dentro de sua faixa de rodagem. Entre os que viajam de moto não é preciso dizer que caso haja um toque entre motos dispostas lado a lado durante o movimento muito dificilmente se evitará um grande tombo de ambos os envolvidos, pois são poucos os que conseguiram se segurar em cima da máquina quando isso aconteceu. Por esses e outros motivos, o posicionamento de motos lado a lado fica terminantemente proibido dentro de comboios prudentes e bem organizados.

Ah: E nada de tentar comentar, em movimento, com o amigo da outra moto algo que aconteceu lá atrás ou um fato que você acabou de lembrar. Estando os dois de capacete e divididos pelo forte barulho do vento nem ele vai ouvir o que você tem a dizer nem você vai ouvir o que ele tem a te responder. Nesse caso, é preciso que se “grave” o comentário a ser feito para que seja dito na próxima parada. Esse lance de estar batendo papo em movimento, durante a pilotagem, é coisa de gente irresponsável. Se alguém insistir, apenas finja que ouviu e toque a viagem. Para preservar a boa visibilidade dos viajantes do comboio a sua formação mais segura vem a ser aquela que uns chamam de zig-zag, outros chamam se serpente, e outros ainda chamam de pegadas na areia.

Essa é uma formação bastante simples de se fazer e manter, quando, em vez de se posicionarem enfileirados um atrás da outro, como ocorre na fila indiana, os motociclistas se intercalam na faixa, ficando um mais a direita desta, e outro mais a esquerda. Essa forma de disposição aumenta a visibilidade em cerca de incríveis 100%, já que o seu horizonte visual praticamente dobra pelo simples fato daquele que está a sua frente não estar bloqueando a sua visão da pista. Na entrada de cidades, sejam elas pequenas ou grandes, pacatas ou movimentadas, a atenção no tocante a manutenção do comboio deve ser redobrada.

Todos têm que se agrupar em distâncias menores do que as praticadas em cruzeiro logo quando aparecerem os primeiros sinais de urbanização, evitando ao máximo a separação em semáforos, engarrafamentos e cruzamentos. Quando se está em comboio dentro de uma cidade, os que estão na frente devem ter o máximo de atenção para que ninguém seja deixado para trás. Caso esta cidade tenha que ser atravessada para que se continue a viagem, a regra é dar uma conferida na saída desta, evitando que pilotos sejam “esquecidos”.

Outra regra útil e eficaz no tocante a transposição de cidades é colocar como batedor aquele que melhor conhece o local, para que não haja descaminhos e não se perca tempo. Se a quantidade de motos for muito grande, pode-se, caso se julgue mais confortável, ágil e seguro pelos participantes, dividir o grupo em dois ou mais comboios. O importante é que se ande sempre em grupo, ainda que menores, mas bem mais enxutos e ágeis. No caso de uma divisão, é preferível que se coloquem as motos mais rápidas e potentes em um grupo, e as mais lentas e com menos motor em outro.

A partir da divisão em dois ou mais comboios, cada um se locomove e viaja de forma independente, por mais que as mesmas regras regulem os passos dos dois grupos. Deve-se evitar ao máximo, em condições normais, a participação de carros em meio a comboios de motos. Eles trazem, na maioria das situações, lentidão e riscos às motos. Carros são bem menos ágeis em ultrapassagens e em caso de pista ruim e devem fazer parte de comboios apenas como batedores ou ferrolhos e somente em condições adversas, como, por exemplo, forte chuva, risco iminente ou em algumas situações de pilotagens noturnas.

Não são raros os motociclistas que colocam parentes ou bagagens dentro de carros de amigos que irão seguir a mesma rota e terão o mesmo destino. Feito isso, deve-se “esquecer” o que foi “despachado” e aceitar a ideia de que o que ou quem foi posto no carro só será “recuperado” no fim da viagem, independente de quem ou do que tenha sido colocado no interior do veículo de quatro rodas (esposa, filhos, dinheiro, documentação, câmeras fotográficas, etc). Caso o motociclista não consiga passar todo o tempo da viagem longe daquilo ou daqueles que foram “despachados”, este deve deixar a sua motocicleta em casa e ir junto, abraçado pela segurança de um carro e na companhia dos seus pertences e parentes.

De outra forma esse motociclista, sobre a sua moto, não conseguirá fazer parte do comboio. É inaceitável e impraticável que um motociclista, pilotando em comboio de motos, opte por desferir esforços na tentativa de se manter próximo a um carro pelo fato de dentro deste estarem as suas bagagens ou as pessoas que estão sob sua responsabilidade e cuidados. É bem verdade dizer que ninguém consegue ser perfeito quando fazendo parte de um comboio organizado para a realização de uma moto viagem ou um moto passeio.

Cada um dos participantes tem as suas faltas. O que deve ocorrer por parte de cada um dos motociclistas é a constante e incansável busca pela correção de suas próprias faltas. Deve ocorrer também o policiamento por parte de cada um para com todos os demais participantes do grupo. Pontualidade, disciplina, agilidade, comunicação e conhecimento da rota e das regras farão muito bem a todos os motociclistas participantes, e farão a diferença na construção da eficiência do grupo.

É verdade dizer também que motociclista nenhum está obrigado a se acostumar a andar em grupo, seguindo toda uma gama de regras pré-definidas. Porém, quando se deseja ou se aceita viajar em comboio, é preciso conhecer e respeitar todo o regulamento do grupo de viajantes. Quem está com pressa vai sozinho. Quem se acomoda fica para trás. Quem quer segurança em seus passeios, estando disposto a seguir algumas regras, e tendo a capacidade e a disponibilidade para se empenhar em nome da funcionalidade de um grupo, viaja em comboio. ...

 
(Texto escrito e publicado em 2009 por Éder N. Barbosa e revisado em 20/06/12 pelo mesmo.)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

NOSSO COMPLEXO MUNDO



O motociclista tenta, em partes, ser criança outra vez. Tudo o que ele quer em seu íntimo mais profundo é ser novamente aquele garoto que teima em desafiar os riscos da vida de forma graciosa, ágil e inocente. Enquanto sentados em suas máquinas, pilotando e praticando o mais nobre estilo estradeiro, os filhos da estrada chegam a esquecer daquela velha dor nas costas ou o quanto incomoda o joelho de cartilagens mais que desgastadas. Em cima de suas motos eles tentam retornar aos primeiros anos de suas vidas e, na maioria das vezes, após uns poucos quilômetros rodados, conseguem! É aí que o sorriso estampado no rosto denuncia que dentro do capacete encontra-se não um cara durão, mas uma criança feliz enquanto curte o seu brinquedo predileto e aproveita a vida como bem quer.


O motociclista também tenta, a todo instante, imitar os pássaros. Eles voam baixo, bem perto do asfalto quente, e, mesmo batendo as suas asas pertinho do chão, têm o rosto lambido pelo vento que sopra na estrada. Em seus muitos “voos” eles almejam ir cada vez mais longe, cada vez mais alto. Tal quais os pássaros que rasgam o céu, os motociclistas voam às vezes em grandes bandos, às vezes sozinhos e, independentemente disso, sempre despertam em alguns determinada quota de interesse juntamente com um sentimento indefinido que seria algo inserido pelas mãos dos mais elevados anjos entre a “inveja boa” e a profunda admiração.

O motociclista imita, inconscientemente, os viajantes antigos, aqueles que cortavam países inteiros montados em seus cavalos quando ainda não existiam rodovias pavimentadas, na verdade quando nem havia estradas. Os moto-viajantes desfrutam um pouco de tudo o que encontram no decorrer do caminho: o ar daquela pequena cidade por onde passam; as conversas dos moradores durante as suas paradas; um pouco dos costumes dos longínquos lugares onde pernoitam. Ao deixarem seus lares para pegarem a estrada sabe-se que muitos são os riscos e fatores que podem fazer com que eles não voltem, mas mesmo assim eles vão, e, priorizando o prazer da sua viagem, não desistem de sua jornada.

Em sua roupa de couro, vestindo luvas, botas e capacete, o motociclista imita, sem querer, os guerreiros de antigamente. Saindo do conforto de seus lares vestidos dessa forma eles se imaginam preparados para enfrentarem a árdua batalha travada todos os dias sobre o asfalto, na cidade e nas estradas, lutando contra os inúmeros riscos existentes nas pistas.

O motociclista é alguém livre por natureza e que defende a sua liberdade com unhas e dentes, socos e pontapés. É alguém que, ainda que somente de tempos em tempos, quer e precisa se libertar das muitas amarras que a sociedade moderna nos impõe, dos muitos limites da vida cotidiana.

Apesar de muitas vezes parecermos durões e invencíveis, nós não somos feitos de ferro nem de aço. Somos de carne e osso, suor e lágrimas, desejos e sentimentos, raivas e alegrias, vento e poeira, estrada e amizades.

Nossas motos e triciclos não são veículos celestiais e nós sabemos bem disso. Porém, ainda assim a maioria de nós trata suas máquinas, sejam quais forem os seus preços, não como simples bens materiais, mas como as coisas mais belas e raras do mundo, como se fossem verdadeiras joias motorizadas. A moto para nós, principalmente aquela que fica dentro de nossa garagem, deixa de ser um simples transporte quando se transforma em uma espécie de elo que nos liga a estrada, aos amigos, a outros lugares e a liberdade sem fronteiras.

Os nossos trajes não são armaduras, apesar de em alguns casos parecerem. Muitas dessas vestimentas, na verdade, não dispõem de proteção alguma. Para nós as nossas roupas de viagem são como o chapéu daquele que gosta de cavalgar no campo, a bermuda daquele que pega ondas em dias ensolarados ou o jeans daquele que frequenta rodeios nos fins de semana. As roupas que usamos para viajar acabam se tornando partes quase que fundamentais da nossa “diversão”, da prática do nosso hobby. Esse tipo de vestimenta é algo peculiar do nosso estilo de vida. O Brasão que usamos não é só um belo desenho traçado nas linhas da costura de um bordado.

O nosso Brasão é, na verdade, um conjunto de ideais e diretrizes que decidimos obedecer, seguir e defender. É algo que, ainda que sem motivo aparente, decidimos abraçar. Aqueles que usam um Brasão igual ao nosso são parceiros que escolhemos para dividir aquele que seria o nosso “sobrenome” no meio motociclístico. O correto e ideal seria que um Brasão de Moto Clube fosse o sinal de que o motociclismo é “brincadeira” de gente grande, de que é coisa séria, com regras não escritas e com punições bem definidas.

Ser motociclista é entender, ser e vivenciar essas e muitas outras coisas. Ser um de nós é ser o que ninguém, por maior que seja o talento que tenha com as palavras escritas ou faladas, jamais conseguirá explicar em sua plenitude. Só sabe quem é, e jamais conseguirá se ensinar ou justificar.



Texto: Éder Negreiros Barbosa

quarta-feira, 11 de julho de 2012

UM CHEIRINHO DO QUEM VEM EM SETEMBRO DE 2012

Por aqui esperamos ansiosamente pela 5ª temporada. Fica aqui um cheirinho do que vai passar na próxima temporada, disponibilizada pelos autores da série. Depois de ver este pequeno trexo fico mais empolgado. Irá haver uma luta da mãe contra a Tara? ou será a disputa de clay pelo poder contra jax? Com Jax agora a assumir a liderança de SAMCRO, as coisas podem trazer uma "guerra" entre Gemma e Tara. "Gemma adora Tara mas se sentirá ameaçada por ela agora, era a oldlady more do clube."


Em breve mais novidades!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

VIVENDO E APRENDENDO!



Quem diria que veteranos e atuais motociclistas muitos anos depois iriam ver e comprovar a garra das mulheres no motociclismo?

O célebre ditado popular "vivendo e aprendendo" comprova que isso é verdade porque está realmente acontecendo!

Outrora as mulheres, quando muito, e salvem-se as raríssimas exceções, cautelosamente sentavam-se no banco do carona, abraçavam o parceiro com força pela cintura numa mescla de amor e medo, para sentirem-se mais seguras. Mas passado algum tempo e algumas curvas mais sinuosas, e já ficava tudo bem.

Somente então após estarem tranqüilas é que participavam efetivamente dos passeios ou das aventuras. E se após decorrido esse natural receio inicial continuavam apertando seus parceiros, aí já seria por outro motivo, motivo esse que nada devo comentar.

Isso só acontecia com as mais arrojadas e corajosas, mas como na vida estamos sempre sendo surpreendidos com fatos novos, aconteceu que com o passar dos tempos elas agora também estão sentadas no banco dos pilotos, e muitos barbados passaram para o banco dos caronas. Inverteram-se os papéis!!!

Poderia eu acreditar que isso um dia aconteceria?

Olha que alguns até zombavam delas dizendo que "lugar de mulher é atrás de um tanque". Caladas, a tudo escutavam.

Bastou alguns anos se passar e acabaram concordando, mas só que atrás de um grande, lindo e colorido tanque de gasolina de uma possante e incrementada motocicleta!

Com essa radical mudança é possível ver que após alguns tantos anos contidas dos seus sentimentos, elas por fim puderam desabafar todo carinho que sentiam pelas motos. Carinhos idênticos aos que eu sinto e que todo verdadeiro motociclista, seja ele estradeiro ou não, também sente.

Vi serem essas intrépidas "Joana D'arc" do motociclismo, provas vivas e extremamente lindas que mostram ser o motociclismo igualdade, irmandade, solidariedade e prazer... muito prazer!

Pena que no meu tempo não tenha sido assim. Bom...
mas acontece que felizmente ainda estou vivo!

Texto: João Cruz

Fonte: Motociclistas Invenciveis

quarta-feira, 4 de julho de 2012

segunda-feira, 2 de julho de 2012

KUSTOM É SER LIVRE E AVENTUREIRO



Incrível... uma 'pilota' radical ! Mas que raciocina bem, é inteligente e audaciosa. A conhecida Motociclista Audaz que já percorreu o sul, sudeste e nordeste do Brasil numa só viagem, finalmente encontrou apoio na empresa BMW, que cedeu moto e equipamentos para sua nova e maior viagem que deseja fazer. Mas por necessitar de mais patrocínio, faz a seguinte declaração:

" Tenho grande viagem programada para iniciar em 07/09/2012 e felizmente já consegui moto e equipamento através da BMW.

Nesta aventura percorrerei 19 estados brasileiros num período de 90 dias mostrando as belezas naturais e culturais do nosso país (na visão de uma mulher a bordo de uma motocicleta), produzindo um arquivo com imagens de vídeos dos locais por onde passarei. Com isso será criado pequeno guia de viagem e turismo onde poderão ser colocados vários tipos de anúncios e propagandas dos patrocinadores.

Além do apoio recebido da BMW que consiste numa super moto, acessórios e vestimenta completa, terei cobertura de Revistas femininas; Revistas sobre Motociclismo; Inclusive sites e TVs que já estão também confirmados. Sendo que o site Rotaway fará diariamente ampla cobertura da viagem.


Adiantem-se porque já estamos na reta final do que será a maior viagem de motocicleta realizada por uma mulher em território brasileiro (e talvez da América) num percurso de aproximadamente 24.000km.

Seu patrocínio será muito importante para que este projeto vire realidade, por ainda necessitar de suporte para estadias, alimentação e alguns eletrônicos (GPS, filmadora, notebook). Lembrando que fotografias e filmagens serão constantes nesta trajetória. Com isso, sua marca estará em exposição todo tempo da aventura, além de ficar gravada em vídeo de boa qualidade.


Havendo interesse encaminharei projeto com roteiro completo, inclusive detalhes, e poderei esclarecer qualquer dúvida que houver. Tenho experiência em viagem de moto por já ter feito, com sucesso, percurso direto de Santa Maria/RS até Fortaleza/CE em 2008. Muito obrigada pela atenção. " Lisiane Pletiskaitz


e-mail: pletiskaitz@gmail.com