quarta-feira, 27 de setembro de 2017

O "VERDADEIRO" MOTOCICLISTA

(foto de um encontro realizado pela internet de um forum para discutir amigavelmente sobre Yamaha x Honda)

          Tenho visto muita gente falando e escrevendo sobre "o verdadeiro motociclista". Acabei ficando curioso e procurando entender quem é esse cara; afinal, parece que muitos o procuram mas poucos já o viram.

          Na multidão de vozes que falam sobre o assunto vi de tudo. Para alguns é uma questão de CC (estou falando de cilindrada e não de suor); nesta visão se exclui do grupo de candidatos quem esteja abaixo de um determinado número. A marca limite varia mas, certamente, com 125cc você não pode ser um motociclista.Os donos de 125 reclamam, é claro, mas dizem que uma Pop 100 não pode ser chamada de moto.
          
Para outros, é o local por onde você trafega que determina se você é um "verdadeiro motociclista". Neste caso, só os estradeiros atingiriam tal nível de qualificação. Quem usa moto para ir ao trabalho, faculdade ou pequenos passeios não poderia conhecer a essência do motociclismo.
          Pode-se encontrar também muita gente que define o motociclista pela adesão a um moto-clube. Assim, motociclista solitário é uma vergonha para a classe, alguém totalmente desprezado. Se fizer parte de um moto-grupo, pelo menos, começa a adquirir algum respeito e o direito de existir. Agora, motociclista mesmo só depois de conseguir o seu colete. Alguns ainda acrescentam umas regrinhas extras, não permitindo a retirada do colete por qualquer motivo (pra tomar banho pode?).

          Outra vertente segue a linha da idade. Opa! Agora vou me dar bem. O verdadeiro motociclista seria o "tiozão" que pode contar como eram as coisas no "seu tempo", quando um motociclista sempre acenava ao cruzar com outro, independentemente de marca ou cilindrada. Se for esse o caso, realmente será difícil achar o "verdadeiro motociclista", pois a maioria dos motociclistas não chega a envelhecer. Quem chegar lá terá provado que é um motociclista de verdade.
          
Mas, afinal, quem é esse cara (ou essa mulher) que todos procuram e ninguém encontra? Quem pode ser chamado de um verdadeiro motociclista?
          Ora, a resposta é simples: sou eu; ou melhor: é você. Somos todos nós que, apesar de todos os riscos, da falta de segurança de nossas estradas, do grande número de idiotas dirigindo veículos que pesam toneladas, dos buracos, do IPVA e do DPVAT, apesar da discriminação, de sermos vistos como bandidos ao entrarmos num banco segurando o capacete, apesar da chuva que não acaba nunca, insistimos em andar sobre duas rodas.

          A vida já é complicada demais e as pessoas divididas demais para ficarmos gastando nosso tempo e energia tentando decifrar quem pode ser chamado de um "verdadeiro motociclista".
          Não vou deixar que ninguém me rotule, seja pela idade, seja pela cilindrada da minha moto ou pelo fato de eu andar sozinho ou em grupo.

          A liberdade não convive com rótulos.

          Um verdadeiro motociclista? SOU EU!!!



Créditos: blog-do-tiozao.blogspot.com

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

VÁCUO


Quem de nós já não permaneceu durante um bom tempo atrás de um caminhão ou ônibus e sentiu no braço como é complicado segurar uma motocicleta? Isso é ocasionado pelo fenômeno conhecido como vácuo. No momento da ultrapassagem passamos por outra situação conhecida por "deslocamento de ar", nesse caso a orientação ao ultrapassar ônibus e caminhões é fazê-lo quanto mais distante melhor.

Embora não muito divulgado, é comum motociclistas se envolverem em acidentes provocados pelo vácuo de ônibus e caminhões, após um acidente divulgado fomos atrás dessa informação, a orientação abaixo é de autoria do Instrutor Amaral, em matéria divulgada para o Motoonline.com.br.

Por Instrutor Amaral:

Muitos me perguntam como podemos evitar um tipo de acidente causado por ventos e deslocamentos de ar enquanto transitamos com nossas motos principalmente em estradas e rodovias. Em primeiro lugar vamos entender o que são ventos e o que são deslocamentos de ar, pois parecem a mesma coisa, mas não são. Por isso os cuidados na pilotagem devem ser bem aplicados conforme nossas atitudes diante dessas condições adversas na condução de motos e assim poderemos colocar em prática as técnicas da pilotagem segura.

Vento – É um fenômeno natural, causado pela diferença de temperatura na atmosfera, movimentação de rotação e translação da Terra. Portanto, para o piloto não tem como fugir deles. Existem dois tipos de ventos que podem causar perigo ao motociclista:

1- Ventos Laterais

2- Ventos frontais

Os ventos laterais são os mais perigosos para a condução, pois eles vêm repentinamente, empurrando o motociclista e a moto para as laterais da pista. Os cuidados que se deve ter nesse momento é abaixar o corpo, deixando o vento passar por cima do piloto, evitando atingi-lo de lado e, sem dúvida, desacelerar, diminuindo a velocidade. Assim poderá sair de situações de risco, como ser empurrado para fora da estrada.

Existem regiões onde os ventos laterais aparecem em forma de rajadas. Nesse tipo de fenômeno natural é quase impossível evitar um acidente. Porém, pilotando preventivamente, observando se no local há sinalização indicando esse fenômeno, ou mesmo observando os sinais do ambiente, como árvores derrubadas ou deslocadas lateralmente, caminhões tombados sem uma aparente causa, placas de sinalização e de publicidade caídas na beira da estrada, não pense duas vezes em reduzir a velocidade e pilotar com calma. Rodovias ou estradas muito abertas em suas laterais são muito propícias a isso. Para rajadas de ventos laterais repentinas não há técnica defensiva e sim preventiva.

Os ventos frontais de que falamos são os causados naturalmente e não pela velocidade da moto. Percebe-se mais facilmente em modelos de motos com suspensões mais altas, como as trail. Ou seja, não é a moto que “corta” o vento, mas sim o vento que vai ao encontro da moto. Nesse momento o piloto sente a frente da motocicleta mais leve, sem estabilidade. Neste caso, o conselho defensivo é diminuir a velocidade e deixar o corpo mais a frente, concentrando peso à roda frontal e diminuindo assim a leveza causada pelo vento frontal. O conselho preventivo é ajustar a suspensão traseira da moto para uma pré-carga mais dura, dessa forma o pneu dianteiro ficará mais colado ao chão, deixando a moto mais estável nessa condição atmosférica.

Deslocamento de ar – Diferente dos ventos, o deslocamento de ar é causado por outros veículos maiores, como caminhões e ônibus, e não pela natureza. São quatro os tipos:

1- Deslocamento de ar positivo

2- Deslocamento de ar negativo

3- Turbulência

4- Vácuo

Deslocamento de ar positivo: É muito comum isso acontecer ao ultrapassar caminhões e ônibus. Tais veículos “empurram” o ar ao se movimentarem em velocidade. Assim esse ar deslocado é retirado da frente desses grandes veículos e jogado para o lado, isto é, ao lado de sua ultrapassagem. Dessa forma, o motociclista e sua moto são jogados positivamente, ou seja, para fora da via. O conselho defensivo é ultrapassar rápido e longe de caminhões e ônibus e o conselho preventivo é ter muita paciência e esperar o momento certo para ultrapassá-los. Esse efeito de deslocamento acontece também quando veículos passam em grande velocidade ao contrário de sua via. Dessa forma, ao vê-los chegando desloque-se ao lado direito da via o mais longe possível deles e amenize o efeito do deslocamento.

Deslocamento de ar negativo: este tipo de condição adversa é a mais grave, pois da mesma explicação dos efeitos do deslocamento de ar positivo, o ar deslocado para as laterais de grandes veículos “abraça” o motociclista que está ultrapassando o qual é sugado para debaixo desses pesados caminhões. Portanto, aproveite a vantagem da moto e ultrapasse rápido e fique longe desse espaço.

Turbulência e Vácuo: Sabe aquela frase escrita na traseira de caminhões e ônibus “mantenha distância”? É bom você saber que ela está ali por uma razão muito importante. Primeiro porque o ensinamento defensivo explica que se deve manter uma distância de seguimento entre 2 a 3 segundos atrás de qualquer veículo independente da velocidade dos mesmos. Se o veículo a manter distância for um carro mais pesado, ou se a via estiver molhada, esta distância deve ser dobrada ou triplicada. Isso vale para a moto, também.

É muito comum encontrar motociclistas trafegando grudados atrás de ônibus com o objetivo ilusório de se protegerem da chuva ou de ventos frontais. Dependendo da velocidade e da curta distância de seguimento do veículo da frente, acontece muita turbulência e, ao se aproximar demais, o motociclista poderá entrar no vácuo. Sim, vácuo, ausência de ar que evita atrito atmosférico e aumenta a velocidade da moto. Muitos acidentes fatais são causados por esta falta de atrito do ar. Não precisa o veículo da frente frear forte para que o motociclista estampe na traseira de ônibus ou outros veículos, pois o vácuo ajuda a empurrar a moto causando este tipo de acidente. Assim sendo, mantenha distância – e a fumaça do diesel é tóxica, saia de perto do bruto.


Fonte: http://www.expedicoeslatinas.com.br/